Leia à mesa com seu filho e desfrute do resultado multiplicador (II)

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Nos dias de hoje a necessidade e boas consequências da habilidade com palavras não é diferente. E apesar do acesso facilitado a notícias e outros textos, no Brasil temos dificuldade de transformar essa informação diária em prática de leitura e conhecimento útil. Essa realidade fica mais clara com o resultado da edição de 2018 do maior estudo sobre educação do mundo: o Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, o famoso PISA. Realizado em 79 países e participação de estudantes de 15 anos de idade, o Brasil foi um dos piores colocados da América do Sul no teste de leitura, ficando à frente apenas da Argentina e do Peru.

Pensando nesse quadro de baixo desempenho de jovens brasileiros (metade não atingiu no PISA o mínimo necessário em leitura até o fim do ensino médio), recomendo fortemente a aplicação adaptada à sua realidade daquele método antigo dos judeus para praticar leitura. Eles utilizaram a Torá para leitura e estudo do conteúdo. Se quiser você pode usar a Bíblia, mesmo como livro histórico ou cultural, mas também um livro de sua preferência ou de seus filhos para iniciar um período diário de leitura, conversando durante esse momento sobre o conteúdo. É possível que você se surpreenda com a diversidade de assuntos que pode aflorar a partir do assunto inicial do livro. Desde que comecei essa prática em casa com meu filho de 15 anos, sentados à mesa na cozinha, há pouco mais de um mês, temos conversado sobre os mais variados assuntos, interrompendo o que estamos lendo para comentar.

A partir de uma viagem de barco narrada no livro da vez, a conversa pode dar ensejo a comentários sobre trincheira na Primeira Guerra Mundial, costumes atuais e antigos, parentes falecidos, viagens que fizemos ou poderemos fazer. Essa estratégia de leitura se revelou uma atividade com efeito multiplicador: maior comunicação na família, prática de leitura e expressão oral, interesse por tipos diferentes de livros, alargamento de conhecimento sobre variados assuntos; a longo prazo, memória de rotina familiar. Tudo isso e mais alguma coisa a partir de um ponto de partida: a leitura em família sentados à mesa. Esse novo hábito tem o potencial de gerar frutos promissores.

Referências:

BOTTICINI, Maristela; Eckstein, Zvi. The chosen few – how education shaped Jewish history, 70 – 1492. Princeton University Press. Princeton, New Jersey: 2012.

BRASIL. INEP. Pisa 2018 revela baixo desempenho escolar em leitura, matemática e ciências no Brasil. Disponível em: <http://portal.inep.gov.br/artigo/-/asset_publisher/B4AQV9zFY7Bv/content/pisa-2018-revela-baixo-desempenho-escolar-em-leitura-matematica-e-ciencias-no-brasil/21206>.

INGALL, Marjorie. Mamaleh knows best – what Jewish mothers do to raise successful, creative, empathetic, independent children. Harmony Books. New York: 2016.

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Guilherme Santos Júnior
Guilherme Santos Júnior
Guilherme é Analista Ambiental, bacharel em Geografia e Ciências Náuticas, licenciado em Geografia e mestre em Planejamento do Desenvolvimento. Acredita na educação, mais que na instrução, como meio de se atingir objetivos importantes na vida, e no uso do livro como ferramenta de aprendizado e sobretudo de conhecimento.

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