Leia à mesa com seu filho e desfrute do resultado multiplicador (I)

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Nossa reflexão neste artigo está baseada no livro “Os poucos escolhidos – como a educação formou a história dos judeus – 70-1492” (Tradução livre. Não há versão em português). Esta obra é o resultado de uma pesquisa sobre o processo de alfabetização e instrução de um povo predominantemente agrário e com alto índice de analfabetismo por volta do ano 70 d.C., e que até por volta do ano 900 d.C. tornou-se numa comunidade culta e, posteriormente, rica e bem-sucedida profissionalmente, espalhada pelo mundo da época. Ao analisar o resultado da pesquisa os autores do livro atribuem a causa do sucesso à educação, e a partir de ferramentas religiosas. Para se ter uma ideia do sucesso desse povo, que é menos de 1% da população mundial, segundo a jornalista Marjorie Ingall, autora do livro citado no fim deste artigo, os judeus constituem 51% na categoria não-ficção dos vencedores do prêmio Pulitzer (premiação para trabalhos de excelência em jornalismo, literatura e composição musical) e 170 de 850 ganhadores do prêmio Nobel. Na Idade Média, entre os anos 1150 e 1350 constituíram 95 dos 626 cientistas conhecidos do mundo da época.

Nos tempos de Jesus, porém, era um povo predominantemente analfabeto e que vivia da agricultura de subsistência, embora houvesse incentivo à leitura da Torá, o livro sagrado do Judaísmo correspondente ao Antigo Testamento da Bíblia, do Cristianismo. Após a destruição do segundo templo judaico de Jerusalém, no ano 70 d.C., a alfabetização, leitura e estudo da Torá tornou-se uma das principais obrigações religiosas. O pai tinha por obrigação enviar o filho a partir dos 6 ou 7 anos para a instituição de ensino judaico de sua comunidade, arcando com os custos desse investimento, ou recebendo auxílio se não pudesse custear. Se por algum motivo não cumprisse tal ordenamento, o pai seria banido da comunidade religiosa, o que levou judeus a se converterem ao Cristianismo, que valorizava mais outros tipos de serviço, como o acolhimento de necessitados, e não obrigava a alfabetização e a leitura e estudo da Bíblia.

Quando a economia dos países mais avançados da época (primeiro em países árabes e depois na Europa) mudou de rural e agrária para urbana e comercial, os agricultores judeus alfabetizados foram os primeiros a se tornarem artesãos, mercadores e comerciantes, profissões que exigiam letramento e habilidade com números. Eles estavam entre os mais preparados para ocupá-las, destacando-se intelectualmente em meio ao baixo nível de alfabetização da população em geral. Exerceram ocupações rentáveis a partir de então, e nos séculos seguintes. Os autores do livro detalham bastante a ascensão social dos judeus na Europa desde a Idade Média e em grandes civilizações da época no Oriente Médio, analisando várias consequências resultantes da obrigação de se educar os filhos a partir da alfabetização e da leitura e estudo da Torá. A segunda parte deste artigo se refere a uma aplicação de leitura na nossa rotina inspirada nessa ordenança judaica a partir do primeiro milênio da Era Cristã.

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Guilherme Santos Júnior
Guilherme Santos Júnior
Guilherme é Analista Ambiental, bacharel em Geografia e Ciências Náuticas, licenciado em Geografia e mestre em Planejamento do Desenvolvimento. Acredita na educação, mais que na instrução, como meio de se atingir objetivos importantes na vida, e no uso do livro como ferramenta de aprendizado e sobretudo de conhecimento.

4 Comentários

  1. GUILHERME FILHO diz:

    Muito boa análise!

    • Guilherme Santos Júnior diz:

      Obrigado, Guilherme Filho. Pelos seus efeitos, a prática da leitura merece ser estimulada.

  2. Francisco Antonio diz:

    Parabéns Guilherme. Essa prática cultuo desde à época de meus pais. Sempre colhendo muitos frutos.

    • Guilherme Santos Júnior diz:

      Obrigado, Francisco Antonio. Boas práticas culturais passadas de geração a geração são uma grande herança.

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