A educação como fator de prosperidade de imigrantes pobres e analfabetos (I)

Foto: Reprodução/Love Money

O livro “Ação afirmativa ao redor do mundo – um estudo empírico sobre cotas e grupos preferenciais”, do economista Thomas Sowell, aborda experiências de vários países na implementação de políticas públicas de favorecimento de grupos sociais em relação a outros. A justificativa para tais iniciativas é que uns estariam em vantagem socioeconômica injusta em relação a outros. Entretanto, até que as diferenças sociais aumentassem e motivassem ação do governo, qual o papel que a educação desempenhou no processo desse distanciamento ou aproximação social? A educação aproxima ou distancia? A partir das diversas informações fornecidas pelo autor, faremos breve análise da situação com recorte na educação no processo de mudança na qualidade de vida em dois grupos sociais.

Um dos capítulos do livro detalha parte da história da Malásia, país asiático atualmente conhecido como integrante do grupo dos Tigres Asiáticos de Segunda Geração. A história começa no século XIX, quando ainda era a colônia britânica da Malaya e começaram a chegar imigrantes da China, que passaram a conviver com os “bumiputeras”, ou “filhos da terra”, compostos principalmente pela maior etnia da população nacional, os malaios. Os imigrantes chineses eram tipicamente pobres e analfabetos e trabalhavam nas tarefas mais sujas e servis, desdenhadas pelos nativos, entre as quais plantações de seringueiras para a produção de borracha. Os malaios eram proprietários de terras, e por isso rejeitavam as tarefas mais árduas e inferiores.

O fluxo de imigrantes chineses continuou a ponto de a população crescer de cerca de 100 mil em 1881 para 1 milhão em apenas 50 anos. Em 1911 mais da metade dos chineses da Malaya trabalhavam na agricultura e nas minas. Vinte anos depois, só 11% ainda estavam nessas ocupações. Os outros se deslocaram para trabalhos mais complexos e mais bem remunerados. O que teria causado tamanha melhoria entre os chineses daquela parte do mundo?

Uma das razões certamente foi a maneira como cada grupo lidava com a educação. Diferentemente dos nativos, os imigrantes chineses tinham um estilo de vida que com base na frugalidade, que significa um modo de vida comedido, com sobriedade de hábitos e costumes. Entre suas práticas estavam a valorização dos estudos, desde a tenra idade até a conquista das vagas nas universidades, principalmente nos ramos científico, profissional e técnico. Os malaios, por sua vez, eram conhecidos como esbanjadores e propensos a contrair dívidas motivadas por celebrações sociais. Seus jovens se atrasaram nos estudos em quantidade e qualidade em relação aos chineses, matriculando-se nos cursos menos exigentes, e poucos tinham qualificações para se especializar nas áreas que exigiam conhecimento matemático ou científico.

Mais detalhes desse processo histórico estão na segunda parte deste artigo, mas se pararmos neste ponto já é possível constatar que o esforço de educação dos imigrantes chineses, de inciativa própria a partir do desejo de fazer prosperar a si mesmos e à geração seguinte, causou melhoria e distanciamento da situação inicial de pobreza. É um bom exemplo para nós, que vivemos num país com oportunidades em áreas como a tecnológica, mesmo com os problemas socioeconômicos. São tempos diferentes em que há problemas semelhantes, como o desemprego e a miséria, mas soluções também semelhantes, como a educação.

Foto: Reprodução/Love Money

*Os artigos publicados por seus colunistas não refletem exatamente a opinião do MÍDIA.
Guilherme Santos Júnior
Guilherme Santos Júnior
Guilherme é Analista Ambiental, bacharel em Geografia e Ciências Náuticas, licenciado em Geografia e mestre em Planejamento do Desenvolvimento. Acredita na educação, mais que na instrução, como meio de se atingir objetivos importantes na vida, e no uso do livro como ferramenta de aprendizado e sobretudo de conhecimento.

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